E acabou 2010! Neste ano, no dia primeiro de abril, comecei este blog sem intenções mentirosas. A ideia é colocar aqui comentários sobre meus exercícios artísticos e minhas observações sobre o campo da arte contemporânea. Enfim um espaço público de expressão, para compartilhar algumas ideias e observações.
E o que mais teve em 2010? Minha bolsa da FAPESP para prosseguir com o mestrado em artes na Faculdade Santa Marcelina. Meu desligamento temporário do campo letivo. O desenvolvimento de alguns trabalhos em vídeo, o contato com amigos artistas, críticos e estudiosos. A visita exposições e mostras que foram relevantes para mim: 29a. Bienal, Gordon Matta-Clark, Hélio Oiticica, Andy Warhol, Joseph Beuys, Flávio de Carvalho, Casa Tomada, Casa Contemporânea, Verbo, Alicidade, Virada Cultural e a especialíssima... Galeria Expandida. No campo específico de arte e tecnologia teve: Emoção Artificial, Tékhne, Laurie Anderson, Rebecca Horn.
Esse não foi um ano de expor meus trabalhos, foi um ano de pesquisa, aprendizado e desenvolvimento. Espero que os frutos desse trabalho possam vir a público agora em 2011, e claro, vou desenvolver novos trabalhos. O evento público mais importante do qual tomei parte em 2010 foi III Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual ocorrido em junho em Goiânia na Universidade Federal de Goiás; participei apresentando o vídeo 23-24 e um texto que foi publicado posteriormente.
Também não dá para deixar de fora dos acontecimentos de 2010 os dois Encontros Arte e Meio Tecnológicos organizados pelo grupo AMT.
Junho - V Encontro: A Experiência Neoconcreta e aspectos contemporâneos
Novembro - VI Encontro: Waldemar Cordeiro e a experiência Popcreta.
Participei, ou melhor ainda estou participando - porque vamos retomar em janeiro, da produção do curta-metragem experimental Call me Darling desenvolvido em disciplina na ECA - USP.
Agora no final do ano tive a oportunidade de desenvolver um projeto meu e de Sabrina Henrique que se tornou uma experiência muito especial. Criamos um programa de TV especial de final de ano para a TV Rede Paulista afiliada da TV Cultura em Jundiaí. O projeto Mapeando Histórias virou o especial 355Jundiaí Mapeando Histórias. Dois programas de 30min exibidos pela TV em dezembro desse ano. Foi uma experiência incrível poder criar e desenvolver um projeto nosso que abarca minhas crenças nas micronarrativas. Deu um trabalho monstro e ficou aquém das nossas idealizações mas se concretizou e o retorno foi ótimo.
E ainda agora no fim do ano junto com escritura da qualificação do mestrado, produção do programa de TV e do curta metragem... mudei de casa. Agora moro mais próximo dos meu interesses e tenho um escritório/estúdio mais ajeitado para trabalhar. Até pintou um convite para participar de um atelier coletivo com outros artistas... mas ainda não é a hora...
Enfim 2010 foi um ano de trabalho, estudo, pesquisa e realizações. Que venha um 2011 ainda melhor!!! E promessa de ano novo: escrever mais no blog.
AUDIOVISUAL + ARTE CONTEMPORÂNEA Lugar / Tempo - efêmero, contemporâneo. Para scanear arte, pensar arte, servir arte, falar arte, questionar arte.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
terça-feira, 16 de novembro de 2010
TÉKHNE
A palavra grega que era usada para designar as artes plásticas dá título a exposição do Museu de Arte Brasileira na FAAP em São Paulo. O mais interessante da exposição foi a oportunidade de, a partir da curadoria precisa de Denise Mattar e Christine Mello, percorrer toda a tragetória de cruzamentos e instersecções entre arte e tecnologia realizados no Brasil desde os anos 1970 com obras de Waldemar Cordeiro até trabalhos muito atuais de artistas como Regiane Cantoni e Lucas Bambozzi, Denise Agassi, Luiz Duva, entre outros. Passando pelos anos 80 com Analivia Cordeiro, José Roberto Aguilar, Paulo Bruscky e Regina Vater, Regina Silveira, Anna Bella Geiger, Cildo Meireles,Nelson Leirner, Hudinilson Jr. Bem no meio do percurso o fantástico trabalho de Amélia Toledo Pedra Luz que encanta e seduz.
Enfim uma tragetória completa, difícil de conseguir reunir. Oportunidade única.Para quem viu e para quem não viu tem o cátálogo que fica como referência importante para quem se interessa pela área.
Interessante pensar na minha própria proximidade com a exposição. O que gera uma série de observações particulares. Visitei a exposição algumas vezes, tenho amigos participando, ajudei no registro do trabalho da amiga e companheira de grupo de pesquisa Denisse Agassi; a minha orientadora é uma das curadoras.... a possibilidade de apreciar, questionar e discutir as propostas ficou muito mais rica.
Uma experiência muito particular e privilegiada.

Documentando a obra Subindo a Torre Eiffel de Denise Agassi
Enfim uma tragetória completa, difícil de conseguir reunir. Oportunidade única.Para quem viu e para quem não viu tem o cátálogo que fica como referência importante para quem se interessa pela área.
Interessante pensar na minha própria proximidade com a exposição. O que gera uma série de observações particulares. Visitei a exposição algumas vezes, tenho amigos participando, ajudei no registro do trabalho da amiga e companheira de grupo de pesquisa Denisse Agassi; a minha orientadora é uma das curadoras.... a possibilidade de apreciar, questionar e discutir as propostas ficou muito mais rica.
Uma experiência muito particular e privilegiada.
Documentando a obra Subindo a Torre Eiffel de Denise Agassi
sábado, 30 de outubro de 2010
Joseph Beuys - A revolução somos nós
Joseph Beuys - A revolução somos nós em cartaz no Sesc Pompéia em São Paulo organizada pela Associação Cultural VIDEOBRASIL com curadoria de Antonio dʼAvossa

É de estarrecer qualquer artista a visita à exposição retrospectiva de Joseph Beuys, ou pelo menos qualquer artista ou pessoa que pense sobre arte no contemporâneo. A força de seu trabalho imaterial é incrível! Pensar e realizar seu projeto de arte como acontecimento, arte como meio para se fazer política, pensar e agir de acordo com este pensamento, vivendo uma experiência de vida bastante radical é desafio para poucos. Alguns poderão achá-lo um picareta das artes - aquela história com os tártaros nômades seria real ou invenção? não importa faz parte agora da mitologia - de toda forma é impossível não reconhecer a potência do seu legado.
As ações públicas, as manifestações, os trabalhos em processo, as performances, os múltiplos e os cartazes, há de tudo um pouco na exposição. Mas é preciso ter um pouco de vontade para se entender tudo aquilo(ou tentar apreender pelo menos). O conceitual exige do espectador, um passante menos interessado é capaz de achar que tudo aquilo é apenas uma exposição de cartazes e objetos pouco convencionais... não é fácil. Congratulações à organização do VIDEOABRASIL por abraçar tão árdua tarefa com competência e dedicação. Sorte do público.
Pensando nos trabalhos que estão na Bienal Arte e Política,mais "contemporaneamente" ligados à micro política percebo o quanto fazem falta ações radicais da arte no âmbito da macro política. Ficou esta ausência lá no Ibirapuera. Ainda bem que a Bienal está tb fora do pavilhão.

I like america and america likes me - 1974

É de estarrecer qualquer artista a visita à exposição retrospectiva de Joseph Beuys, ou pelo menos qualquer artista ou pessoa que pense sobre arte no contemporâneo. A força de seu trabalho imaterial é incrível! Pensar e realizar seu projeto de arte como acontecimento, arte como meio para se fazer política, pensar e agir de acordo com este pensamento, vivendo uma experiência de vida bastante radical é desafio para poucos. Alguns poderão achá-lo um picareta das artes - aquela história com os tártaros nômades seria real ou invenção? não importa faz parte agora da mitologia - de toda forma é impossível não reconhecer a potência do seu legado.
As ações públicas, as manifestações, os trabalhos em processo, as performances, os múltiplos e os cartazes, há de tudo um pouco na exposição. Mas é preciso ter um pouco de vontade para se entender tudo aquilo(ou tentar apreender pelo menos). O conceitual exige do espectador, um passante menos interessado é capaz de achar que tudo aquilo é apenas uma exposição de cartazes e objetos pouco convencionais... não é fácil. Congratulações à organização do VIDEOABRASIL por abraçar tão árdua tarefa com competência e dedicação. Sorte do público.
Pensando nos trabalhos que estão na Bienal Arte e Política,mais "contemporaneamente" ligados à micro política percebo o quanto fazem falta ações radicais da arte no âmbito da macro política. Ficou esta ausência lá no Ibirapuera. Ainda bem que a Bienal está tb fora do pavilhão.

I like america and america likes me - 1974
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
29a. BIENAL DE SÃO PAULO / PARTE 1
Arte/Politica/Sexualidade/Afeto
Visita inicial, a primeira. Particularmente especial pela participação de Ana Maria Maia assistente de curadoria colega de mestrado que acompanhou nosso pequeno grupo da FASM. Visita rápida de 3 horas. Ainda é necessário voltar outras vezes. Mesmo assim foi uma enxurrada de conhecimento e informações.
Vamos primeiro ao que mais me agradou. O terceiro andar. Pode até parecer óbvio pois, se não há um espaço 'museológico', o lado esquerdo do terceiro andar, próximo ao MAC é o que mais se aproxima disso. O espaço que reúne a maior parte das obras históricas e é o único climatizado em todo prédio.
Independente de tudo isso me interessou o pedacinho dentro desse espaço dedicado a questões corpo/sexualidade/política(?)que reúne trabalhos de Nan Goldin, Miguel do Rio Branco, Enrique Oliveira, Efrain Almeida, Miguel Algel Rojas, Felipa César, Nacy Spero e o meu favorito Leonilson. São trabalhos fortes e contundentes, praticamente um setor inadequado às criancinhas em visitas escolares. Mesmo assim elas circulavam por lá, guiadas com cuidado e esmero pelo educativo. Como pensar o corpo politicamente? Como exibir o corpo politicamente? Relacionamentos afetivos podem ter conotação política? O que vemos (e ouvimos)são obras que tratam do desejo, do corpo exposto, de corpos e almas dilacerados; de uma moral torta, uma atração latente. Questionamento, dúvida e desejo pairam no ar.
Obra Efrain Almenida 2010 de Efrain Almeida, ao funto fotos de Miguel Angel Rojas
Lá em cima detalhe da obra Leo não consegue mudar o mundo de 1989 de Leonilson.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Rebecca Horn

Concert for Anarchy,piano - 1990

Mexilhões-1999
De novo fui conferir a exposição no último final de semana, está virando uma tendência.
A exposição é um deleite para interessados em arte contemporânea e principalmente, nas interações entre arte e aparatos técnicos, mas também para os interessados em performance, cinema, instalações; enfim de uma riqueza ímpar o conjunto de obras que ficou exposto no CCBB Rio e agora São Paulo com curadoria de Marcelo Dantas.
Sem dúvida o foco da exposição está nos objetos/aparatos elaborados pela artista e expostos com precisão. São híbridos de insetos, engenhocas e reflexões sobre as relações humanas e questões sexuais. A indiferença é impossível!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Siga o coelho...Alicidade
Vídeo de registro, realizado por mim, da exposição Alicidade realizada em maio de 2010.
Curadoria: Fabiana Caso e Laurence Trille
Produção: Fabiana Caso e Laurence Trille
Artistas: Lunkie, Adriana Peliano, Celinha Fink, Luiz Zonzini, Frederico Pellachin, Satansmothers, Yves Tadeu e Pita
Estou me interessando cada vez mais por essa atividade de registro de eventos de arte, de processo de criação, exposições...
Curadoria: Fabiana Caso e Laurence Trille
Produção: Fabiana Caso e Laurence Trille
Artistas: Lunkie, Adriana Peliano, Celinha Fink, Luiz Zonzini, Frederico Pellachin, Satansmothers, Yves Tadeu e Pita
Estou me interessando cada vez mais por essa atividade de registro de eventos de arte, de processo de criação, exposições...
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Emoção Art.ficial 5.0
Acabou neste final de semana a quinta edição da bienal de arte e tecnologia do Itaú Cultural em São Paulo.
Eu tinha ido na abertura, com a multidão que pretigiou o evento foi impossível ver todas as obras. Voltei no último dia para observar com calma e fazer o registro.
A exposição Emoção Articical é uma oportunidade de tomar contato com obras incríveis de arte contemporânea. Sempre trabalhos complexos de realização exemplar. Essa edição estava mais enxuta com espaços e visualização ótimas para cada obra. Partindo do tema Atonomia a curadoria fechou o ciclo de temática cibernética iniciado em 2006 com a temática Interface, seguido, em 2008 do tema Emergência. A coerência dos trabalhos selecionados para exposição, talvez tenha alcançado sua maior capacidade de síntese, reflexão e exemplificação do conceito escolhido.
E como sempre para o grande público saltava aos olhos o caráter lúdico de algumas obras. Para a maioria dos visitantes o robô que desenha expressões humananas e depois exibe "orgulhoso" a sua obra, talvez fique como exemplo mais evidente da possível conexão arte/tecnologia. Temos ali a máquina que personifica o artista, apreciação do objeto de arte a até mesmo a sua exposição pública... mas estratégicamente pensado o robô destrói sua própria obra trazendo uma reflexão dura sobre a efemeridade e possibilidade de elaboração da arte.
Robô exibido de Autoportrait do robotlab

Projeto Amoreiras do grupo Poéticas Digitais

MetaCampo do SCIArts

Bion de Adam Brown e Andrew H. Fagg

Hysterical Machines de Bill Vorn
Eu tinha ido na abertura, com a multidão que pretigiou o evento foi impossível ver todas as obras. Voltei no último dia para observar com calma e fazer o registro.
A exposição Emoção Articical é uma oportunidade de tomar contato com obras incríveis de arte contemporânea. Sempre trabalhos complexos de realização exemplar. Essa edição estava mais enxuta com espaços e visualização ótimas para cada obra. Partindo do tema Atonomia a curadoria fechou o ciclo de temática cibernética iniciado em 2006 com a temática Interface, seguido, em 2008 do tema Emergência. A coerência dos trabalhos selecionados para exposição, talvez tenha alcançado sua maior capacidade de síntese, reflexão e exemplificação do conceito escolhido.
E como sempre para o grande público saltava aos olhos o caráter lúdico de algumas obras. Para a maioria dos visitantes o robô que desenha expressões humananas e depois exibe "orgulhoso" a sua obra, talvez fique como exemplo mais evidente da possível conexão arte/tecnologia. Temos ali a máquina que personifica o artista, apreciação do objeto de arte a até mesmo a sua exposição pública... mas estratégicamente pensado o robô destrói sua própria obra trazendo uma reflexão dura sobre a efemeridade e possibilidade de elaboração da arte.
Robô exibido de Autoportrait do robotlab

Projeto Amoreiras do grupo Poéticas Digitais

MetaCampo do SCIArts

Bion de Adam Brown e Andrew H. Fagg

Hysterical Machines de Bill Vorn
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