segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da dura tarefa de elaborar um pensamento próprio...


Entreguei hoje os volumes de texto para qualificação do mestrado. Me deixou um pouco exaurida e um pouco enjoada do próprio texto. De escrever e reescrever... e rever... o engraçado é notar que as melhores ideias surgiram no processo final e o melhor texto é aquele que está sendo escrito e reescrito desde o projeto de pesquisa... Espero poder reaproveitar e retrabalhar bastante desse texto para a dissertação final, para que ele fique apurado.

O fato de as ideias surgirem durante o processo, mas irem aos poucos ficando mais claras, como diz minha querida orientadora, é parte do processo da pesquisa. Foi preciso ler muito, ver muita coisa, passar horas olhando para o teto até que um lampejo de ideia original povoasse meus pensamentos... e mais algumas horas digitando meio em transe, meio insanamente. Das 120 páginas produzidas, metade é relatório, bibliografia e figuras, a outra metade é texto, muito de informação pesquisada e lapidada e um pouco de transpiração criativa. Os vídeos vieram antes o texto depois...Durante esse processo e também durante as aulas concluí que realmente raciocino por imagens. No entanto não é fácil deixar esse raciocínio evidente para os outros. Veremos como será minha avaliação.

Para aliviar a tensão e me dar uma folga comecei a ler a autobiografia da Patti Smith, sobre os anos intensos de juventude partilhados com seu companheiro e amigo de uma vida Robert Mapplethorpe. Inspira a vida em direção á arte.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Começando 2011

Início das atividades de visita e participação em eventos de arte ocorreu dia 25 de janeiro com a abertura das atividades de 2011 do MIS. O ano parece que será movimentado. Só no dia 25 teve: aula inaugural com Nelson Brissac, apresentação da obra Monumento Online de Denise Agassi com participação do grupo Nu.m.i., divulgação dos artistas que irão participar da residência artística este ano, abertura da Mostra do Prêmio Internacional Sony de Fotografia e lançamento do catálogo da exposição da Pipilotti Rist que aconteceu no a passado, tudo num único dia! Como perdi a apresentação da Denise com o grupo Nu.m.i.formado por músicos também da Santa Marcelina, o melhor da noite foi rever amigos e receber o catálogo da exposição da Pipilotti.

A exposição aconteceu entre outubro de 2009 e janeiro 2010 no Paço das Artes e no MIS. Eu já conhecia a artista por ter lido sobre ela e visto partes de alguns vídeos, mas o contato direto com seus vídeos e instalações mudou completamente a ideia que eu fazia dos trabalhos. Ironia, bom humor, beleza plástica e um fantático modo de explorar o corpo humano nos seus mais variados aspectos,compõem trabalhos que surpreendem. Para mim conhecer mais a fundo o trabalho dela,exatamente no momento em que estava realizando experimentações com a narrativa em vídeo foi algo extremamente enriquecedor. Assim como presenciar a própria artista falando sobre seu trabalho nas entrevistas/debates dos quais participou e que foram abertos ao público. A artista se expressava de modo alegre e descontraído, enfrentando todos os temas e de vez enqundo se esquivando com graça de alguma tentativa de elocubração filosófica não muito pertinente colocada pelo público ou por um dos debatedores. Enfim uma oportunidade que foi muito bem aproveitada e deglutida.

PS. O catálogo ficou ótimo, lindo e completo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Balanço Geral 2010

E acabou 2010! Neste ano, no dia primeiro de abril, comecei este blog sem intenções mentirosas. A ideia é colocar aqui comentários sobre meus exercícios artísticos e minhas observações sobre o campo da arte contemporânea. Enfim um espaço público de expressão, para compartilhar algumas ideias e observações.

E o que mais teve em 2010? Minha bolsa da FAPESP para prosseguir com o mestrado em artes na Faculdade Santa Marcelina. Meu desligamento temporário do campo letivo. O desenvolvimento de alguns trabalhos em vídeo, o contato com amigos artistas, críticos e estudiosos. A visita exposições e mostras que foram relevantes para mim: 29a. Bienal, Gordon Matta-Clark, Hélio Oiticica, Andy Warhol, Joseph Beuys, Flávio de Carvalho, Casa Tomada, Casa Contemporânea, Verbo, Alicidade, Virada Cultural e a especialíssima... Galeria Expandida. No campo específico de arte e tecnologia teve: Emoção Artificial, Tékhne, Laurie Anderson, Rebecca Horn.

Esse não foi um ano de expor meus trabalhos, foi um ano de pesquisa, aprendizado e desenvolvimento. Espero que os frutos desse trabalho possam vir a público agora em 2011, e claro, vou desenvolver novos trabalhos. O evento público mais importante do qual tomei parte em 2010 foi III Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual ocorrido em junho em Goiânia na Universidade Federal de Goiás; participei apresentando o vídeo 23-24 e um texto que foi publicado posteriormente.

Também não dá para deixar de fora dos acontecimentos de 2010 os dois Encontros Arte e Meio Tecnológicos organizados pelo grupo AMT.

Junho - V Encontro: A Experiência Neoconcreta e aspectos contemporâneos
Novembro - VI Encontro: Waldemar Cordeiro e a experiência Popcreta.

Participei, ou melhor ainda estou participando - porque vamos retomar em janeiro, da produção do curta-metragem experimental Call me Darling desenvolvido em disciplina na ECA - USP.

Agora no final do ano tive a oportunidade de desenvolver um projeto meu e de Sabrina Henrique que se tornou uma experiência muito especial. Criamos um programa de TV especial de final de ano para a TV Rede Paulista afiliada da TV Cultura em Jundiaí. O projeto Mapeando Histórias virou o especial 355Jundiaí Mapeando Histórias. Dois programas de 30min exibidos pela TV em dezembro desse ano. Foi uma experiência incrível poder criar e desenvolver um projeto nosso que abarca minhas crenças nas micronarrativas. Deu um trabalho monstro e ficou aquém das nossas idealizações mas se concretizou e o retorno foi ótimo.

E ainda agora no fim do ano junto com escritura da qualificação do mestrado, produção do programa de TV e do curta metragem... mudei de casa. Agora moro mais próximo dos meu interesses e tenho um escritório/estúdio mais ajeitado para trabalhar. Até pintou um convite para participar de um atelier coletivo com outros artistas... mas ainda não é a hora...

Enfim 2010 foi um ano de trabalho, estudo, pesquisa e realizações. Que venha um 2011 ainda melhor!!! E promessa de ano novo: escrever mais no blog.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

TÉKHNE

A palavra grega que era usada para designar as artes plásticas dá título a exposição do Museu de Arte Brasileira na FAAP em São Paulo. O mais interessante da exposição foi a oportunidade de, a partir da curadoria precisa de Denise Mattar e Christine Mello, percorrer toda a tragetória de cruzamentos e instersecções entre arte e tecnologia realizados no Brasil desde os anos 1970 com obras de Waldemar Cordeiro até trabalhos muito atuais de artistas como Regiane Cantoni e Lucas Bambozzi, Denise Agassi, Luiz Duva, entre outros. Passando pelos anos 80 com Analivia Cordeiro, José Roberto Aguilar, Paulo Bruscky e Regina Vater, Regina Silveira, Anna Bella Geiger, Cildo Meireles,Nelson Leirner, Hudinilson Jr. Bem no meio do percurso o fantástico trabalho de Amélia Toledo Pedra Luz que encanta e seduz.

Enfim uma tragetória completa, difícil de conseguir reunir. Oportunidade única.Para quem viu e para quem não viu tem o cátálogo que fica como referência importante para quem se interessa pela área.

Interessante pensar na minha própria proximidade com a exposição. O que gera uma série de observações particulares. Visitei a exposição algumas vezes, tenho amigos participando, ajudei no registro do trabalho da amiga e companheira de grupo de pesquisa Denisse Agassi; a minha orientadora é uma das curadoras.... a possibilidade de apreciar, questionar e discutir as propostas ficou muito mais rica.
Uma experiência muito particular e privilegiada.



Documentando a obra Subindo a Torre Eiffel de Denise Agassi

sábado, 30 de outubro de 2010

Joseph Beuys - A revolução somos nós

Joseph Beuys - A revolução somos nós em cartaz no Sesc Pompéia em São Paulo organizada pela Associação Cultural VIDEOBRASIL com curadoria de Antonio dʼAvossa



É de estarrecer qualquer artista a visita à exposição retrospectiva de Joseph Beuys, ou pelo menos qualquer artista ou pessoa que pense sobre arte no contemporâneo. A força de seu trabalho imaterial é incrível! Pensar e realizar seu projeto de arte como acontecimento, arte como meio para se fazer política, pensar e agir de acordo com este pensamento, vivendo uma experiência de vida bastante radical é desafio para poucos. Alguns poderão achá-lo um picareta das artes - aquela história com os tártaros nômades seria real ou invenção? não importa faz parte agora da mitologia - de toda forma é impossível não reconhecer a potência do seu legado.

As ações públicas, as manifestações, os trabalhos em processo, as performances, os múltiplos e os cartazes, há de tudo um pouco na exposição. Mas é preciso ter um pouco de vontade para se entender tudo aquilo(ou tentar apreender pelo menos). O conceitual exige do espectador, um passante menos interessado é capaz de achar que tudo aquilo é apenas uma exposição de cartazes e objetos pouco convencionais... não é fácil. Congratulações à organização do VIDEOABRASIL por abraçar tão árdua tarefa com competência e dedicação. Sorte do público.

Pensando nos trabalhos que estão na Bienal Arte e Política,mais "contemporaneamente" ligados à micro política percebo o quanto fazem falta ações radicais da arte no âmbito da macro política. Ficou esta ausência lá no Ibirapuera. Ainda bem que a Bienal está tb fora do pavilhão.


I like america and america likes me - 1974

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

29a. BIENAL DE SÃO PAULO / PARTE 1


Arte/Politica/Sexualidade/Afeto
Visita inicial, a primeira. Particularmente especial pela participação de Ana Maria Maia assistente de curadoria colega de mestrado que acompanhou nosso pequeno grupo da FASM. Visita rápida de 3 horas. Ainda é necessário voltar outras vezes. Mesmo assim foi uma enxurrada de conhecimento e informações.
Vamos primeiro ao que mais me agradou. O terceiro andar. Pode até parecer óbvio pois, se não há um espaço 'museológico', o lado esquerdo do terceiro andar, próximo ao MAC é o que mais se aproxima disso. O espaço que reúne a maior parte das obras históricas e é o único climatizado em todo prédio.
Independente de tudo isso me interessou o pedacinho dentro desse espaço dedicado a questões corpo/sexualidade/política(?)que reúne trabalhos de Nan Goldin, Miguel do Rio Branco, Enrique Oliveira, Efrain Almeida, Miguel Algel Rojas, Felipa César, Nacy Spero e o meu favorito Leonilson. São trabalhos fortes e contundentes, praticamente um setor inadequado às criancinhas em visitas escolares. Mesmo assim elas circulavam por lá, guiadas com cuidado e esmero pelo educativo. Como pensar o corpo politicamente? Como exibir o corpo politicamente? Relacionamentos afetivos podem ter conotação política? O que vemos (e ouvimos)são obras que tratam do desejo, do corpo exposto, de corpos e almas dilacerados; de uma moral torta, uma atração latente. Questionamento, dúvida e desejo pairam no ar.



Obra Efrain Almenida 2010 de Efrain Almeida, ao funto fotos de Miguel Angel Rojas
Lá em cima detalhe da obra Leo não consegue mudar o mundo de 1989 de Leonilson.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Rebecca Horn


Concert for Anarchy,piano - 1990

Mexilhões-1999

De novo fui conferir a exposição no último final de semana, está virando uma tendência.

A exposição é um deleite para interessados em arte contemporânea e principalmente, nas interações entre arte e aparatos técnicos, mas também para os interessados em performance, cinema, instalações; enfim de uma riqueza ímpar o conjunto de obras que ficou exposto no CCBB Rio e agora São Paulo com curadoria de Marcelo Dantas.

Sem dúvida o foco da exposição está nos objetos/aparatos elaborados pela artista e expostos com precisão. São híbridos de insetos, engenhocas e reflexões sobre as relações humanas e questões sexuais. A indiferença é impossível!