terça-feira, 5 de abril de 2011

“e se houvesse ainda e sempre e somente palavras”

A exposição de Ana Paula Lobo aglutina num mesmo espaço e numa mesma ideia videoinstalações e objetos. Tudo ali diz respeito ao universo das palavras, no sentido mais abstrato e no mais concreto.

Numa das videoinstalações a imagem da própria artista adormecida é projetada em um "berço explêndido" formado por livros expcionais das mais variadas áreas. Quando se abre um dos objetos/livro, não são textos que aparecem mas sim um punhado de letras precisamente retordas em madeira, como no Livro da arte, ou em um efêmero e transparente acrílico, como no Livro de artista.

A temática traz palavras e letras. Um amontoado de letras, de livros, de ideias. Um acento de cadeira sustenta um desses amontoados. Paira no ar, leve e sutil, a ideia de narrativa, sem que nenhuma estória seja dada. A dimensão pequena das obras, a delicadeza e perspicácia das imagens encantam e perturbam. Para quem gosta de letras, de vídeo, de objetos preciosos, de arte.

Ana Paula Lobo de 30/3/2011 à 29/4/2011 no DConcept - São Paulo http://www.dconcept.net

terça-feira, 29 de março de 2011

A dura tarefa continua....

Dias muito intensos. Altos e baixos. Apresentei de novo meu trabalho, dessa vez não fiquei muito satisfeita comigo mesma, não levei muito a sério e acabei sendo um pouco leviana, nunca mais vou deixar isso acontecer. Em seguida veio qualificação e parecer da bolsa: observações pertinentes, problemas apontados, elogios, orientações. Sobe e desce, muita ansiedade. Concentração e muita força de vontade. Determinação é o que preciso...sempre...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Portfólio

O processo de auto reconhecimento do trabalho artístico passa por várias fases. A primeira foi a fase de me descobrir capaz, a segunda foi descobrir que é possível, realizável; a terceira de frutificar a produção, em seguida vem a fase mais difícil a de assumir um papel público, confesso, e colocar minhas criações no mundo, mostrar aos outros. Como jovem (nem tanto) artista contemporânea faz parte do processo de afirmação, além de expor o trabalho ao público, expor também à crítica.

Neste momento a crítica veio institucionalizada no projeto Rumos Artes Visuais, personificada na figura da jovem curadora Luiza Proença. Nem sei como me armei de coragem... ou melhor não me armei de nada, preparei uma pequena mostra e falei, apresentei o trabalho, falei dele e de mim claro, porque falo muito feito uma tagarela. Foi uma experiência ótima. Aos poucos aprendo a falar do trabalho e a cada fala descubro ou intuo novos aspectos, me fortalece e enriquece o trabalho.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Back to work

Três dias trancada em casa. Gripada meio febril... vagando pelo apartamento, lendo Patti Smith, escutando Patti Smith...fuçando no computador. Voltei a criar, me enfrentei de novo com o vídeo. Imagens que fiz ainda no ano passado. Foram três meses de transição, hora de voltar ao trabalho. Um pouco de reclusão ajuda, não ligar a TV também.




Vídeo sem título 2010/2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da dura tarefa de elaborar um pensamento próprio...


Entreguei hoje os volumes de texto para qualificação do mestrado. Me deixou um pouco exaurida e um pouco enjoada do próprio texto. De escrever e reescrever... e rever... o engraçado é notar que as melhores ideias surgiram no processo final e o melhor texto é aquele que está sendo escrito e reescrito desde o projeto de pesquisa... Espero poder reaproveitar e retrabalhar bastante desse texto para a dissertação final, para que ele fique apurado.

O fato de as ideias surgirem durante o processo, mas irem aos poucos ficando mais claras, como diz minha querida orientadora, é parte do processo da pesquisa. Foi preciso ler muito, ver muita coisa, passar horas olhando para o teto até que um lampejo de ideia original povoasse meus pensamentos... e mais algumas horas digitando meio em transe, meio insanamente. Das 120 páginas produzidas, metade é relatório, bibliografia e figuras, a outra metade é texto, muito de informação pesquisada e lapidada e um pouco de transpiração criativa. Os vídeos vieram antes o texto depois...Durante esse processo e também durante as aulas concluí que realmente raciocino por imagens. No entanto não é fácil deixar esse raciocínio evidente para os outros. Veremos como será minha avaliação.

Para aliviar a tensão e me dar uma folga comecei a ler a autobiografia da Patti Smith, sobre os anos intensos de juventude partilhados com seu companheiro e amigo de uma vida Robert Mapplethorpe. Inspira a vida em direção á arte.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Começando 2011

Início das atividades de visita e participação em eventos de arte ocorreu dia 25 de janeiro com a abertura das atividades de 2011 do MIS. O ano parece que será movimentado. Só no dia 25 teve: aula inaugural com Nelson Brissac, apresentação da obra Monumento Online de Denise Agassi com participação do grupo Nu.m.i., divulgação dos artistas que irão participar da residência artística este ano, abertura da Mostra do Prêmio Internacional Sony de Fotografia e lançamento do catálogo da exposição da Pipilotti Rist que aconteceu no a passado, tudo num único dia! Como perdi a apresentação da Denise com o grupo Nu.m.i.formado por músicos também da Santa Marcelina, o melhor da noite foi rever amigos e receber o catálogo da exposição da Pipilotti.

A exposição aconteceu entre outubro de 2009 e janeiro 2010 no Paço das Artes e no MIS. Eu já conhecia a artista por ter lido sobre ela e visto partes de alguns vídeos, mas o contato direto com seus vídeos e instalações mudou completamente a ideia que eu fazia dos trabalhos. Ironia, bom humor, beleza plástica e um fantático modo de explorar o corpo humano nos seus mais variados aspectos,compõem trabalhos que surpreendem. Para mim conhecer mais a fundo o trabalho dela,exatamente no momento em que estava realizando experimentações com a narrativa em vídeo foi algo extremamente enriquecedor. Assim como presenciar a própria artista falando sobre seu trabalho nas entrevistas/debates dos quais participou e que foram abertos ao público. A artista se expressava de modo alegre e descontraído, enfrentando todos os temas e de vez enqundo se esquivando com graça de alguma tentativa de elocubração filosófica não muito pertinente colocada pelo público ou por um dos debatedores. Enfim uma oportunidade que foi muito bem aproveitada e deglutida.

PS. O catálogo ficou ótimo, lindo e completo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Balanço Geral 2010

E acabou 2010! Neste ano, no dia primeiro de abril, comecei este blog sem intenções mentirosas. A ideia é colocar aqui comentários sobre meus exercícios artísticos e minhas observações sobre o campo da arte contemporânea. Enfim um espaço público de expressão, para compartilhar algumas ideias e observações.

E o que mais teve em 2010? Minha bolsa da FAPESP para prosseguir com o mestrado em artes na Faculdade Santa Marcelina. Meu desligamento temporário do campo letivo. O desenvolvimento de alguns trabalhos em vídeo, o contato com amigos artistas, críticos e estudiosos. A visita exposições e mostras que foram relevantes para mim: 29a. Bienal, Gordon Matta-Clark, Hélio Oiticica, Andy Warhol, Joseph Beuys, Flávio de Carvalho, Casa Tomada, Casa Contemporânea, Verbo, Alicidade, Virada Cultural e a especialíssima... Galeria Expandida. No campo específico de arte e tecnologia teve: Emoção Artificial, Tékhne, Laurie Anderson, Rebecca Horn.

Esse não foi um ano de expor meus trabalhos, foi um ano de pesquisa, aprendizado e desenvolvimento. Espero que os frutos desse trabalho possam vir a público agora em 2011, e claro, vou desenvolver novos trabalhos. O evento público mais importante do qual tomei parte em 2010 foi III Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual ocorrido em junho em Goiânia na Universidade Federal de Goiás; participei apresentando o vídeo 23-24 e um texto que foi publicado posteriormente.

Também não dá para deixar de fora dos acontecimentos de 2010 os dois Encontros Arte e Meio Tecnológicos organizados pelo grupo AMT.

Junho - V Encontro: A Experiência Neoconcreta e aspectos contemporâneos
Novembro - VI Encontro: Waldemar Cordeiro e a experiência Popcreta.

Participei, ou melhor ainda estou participando - porque vamos retomar em janeiro, da produção do curta-metragem experimental Call me Darling desenvolvido em disciplina na ECA - USP.

Agora no final do ano tive a oportunidade de desenvolver um projeto meu e de Sabrina Henrique que se tornou uma experiência muito especial. Criamos um programa de TV especial de final de ano para a TV Rede Paulista afiliada da TV Cultura em Jundiaí. O projeto Mapeando Histórias virou o especial 355Jundiaí Mapeando Histórias. Dois programas de 30min exibidos pela TV em dezembro desse ano. Foi uma experiência incrível poder criar e desenvolver um projeto nosso que abarca minhas crenças nas micronarrativas. Deu um trabalho monstro e ficou aquém das nossas idealizações mas se concretizou e o retorno foi ótimo.

E ainda agora no fim do ano junto com escritura da qualificação do mestrado, produção do programa de TV e do curta metragem... mudei de casa. Agora moro mais próximo dos meu interesses e tenho um escritório/estúdio mais ajeitado para trabalhar. Até pintou um convite para participar de um atelier coletivo com outros artistas... mas ainda não é a hora...

Enfim 2010 foi um ano de trabalho, estudo, pesquisa e realizações. Que venha um 2011 ainda melhor!!! E promessa de ano novo: escrever mais no blog.