sábado, 26 de novembro de 2011

A soberba da arte contra a indulgência do entretenimento

So what do álbum Kind of Blue de 1959

escute enquanto lê....

A exposição Queremos Miles que conta vida e obra do músico jazzista Miles Davis se apresentou para mim por meio de dois distintos modos de observação. O primeiro e mais óbvio evidencia a montagem da exposição em si usando vários recursos audiovisuias. Como expor música plasticamente se não através do audiovisual? Mas a montagem prioriza mesmo a música e não se deixa cair em pirotecnismos audiovisuais. Junto às salas sonorizadas, projeções e telas de vídeo somam-se discos objetos, figurinos, instrumentos. A inevitável pergunta surge na boca da menina de sete anos – Mãe isso é CD? diz a garota apontando para um série de pequenos e brilhantes EPs... Espalham-se pelo circuito da exposição peças audiovisuais e algumas pérolas podem ser pescadas... O espaço reservado para grande projeção de uma cena de Ascensor para Cadafalso, filme cool de Louis Malle, onde a trilha, criada toda num único dia por Miles, consegue expressar a solidão e a vulnerabilidade inerentes à condição humana, uma especialidade do músico...


Outra trilha sonora criada pelo músico faz parte do documentário sobre o boxeador Jack Johnson. Outras pérolas do audiovisual são um curto filme feito por Jonas Mekas que registra o encontro de Miles e sua esposa Betty Davis com o ilustre casal John e Yoko.  E o clipe colorido e cool do álbum Tutu dirigido por Spike Lee. Há também o registro de micos em que até grandes astros pop caem... como uma curiosa incursão de Davis na publicidade numa interpretação a lá Bill Murray (Sofia Coppola deve ter visto isso!), onde faz propaganda de um licor  japonês.... A exposição termina com devaneios plásticos do músico, suas pinturas piscodélicas.
No entanto o que mais me chamou a atenção foi o artista, a sua biografia, o modo como comandou sua carreira e incursões no meio musical. O músico que não era um virtuose - desconfiava dos que se intitulavam a vanguarda do jazz e buscou toda vida se aproximar do público - foi capaz de  expandir, como poucos, os limites do gênero, explorando a experimentações acima de tudo. Criando melodias inesquecíveis com apenas algumas poucas notas e explorando ao máximo a genialidade própria dos músicos com quem dividia suas criações, capaz de levar a experimentação a extremos, propondo melodias delicadas.
Impossível não realizar pensamentos convergentes com a arte contemporânea, em questões pertinentes como experimentação, inclusão do acaso, aproximação com a comunicação, a desmistificação do artista, criação colaborativa, a inclusão de questões raciais, éticas e estéticas no trabalho, a fusão de diferentes gêneros... Sem nunca deixar de lado o radicalismo e a experimentação artística. Não à toa a frase que dá título a esse texto foi surrupiada de um texto de parede da exposição.
Bitches Brew do álbum Bitches Brew de 1970

Info: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=203749

P. S. Curiosidades na linha o meio é a mensagem.... descobri, lendo outro texto de parede, que o surgimento do LPs de 33 rotações no início dos anos 50 proporcionou um alento para  a gravação de experimentações jazzísticas pois proporcionavam mais tempo de gravação.

domingo, 13 de novembro de 2011

VIII Encontro arte&meios tecnológicos - 2a. parte

Na última quinta o VIII Encontro A&MT ocorreu no espaço Intermeios – Casa de Artes e Livros. Foi o dia dos debates sobre trabalhos de artistas contemporâneos brasileiros que lidam diretamente com vídeo em sua prática artística. Foram três artistas falando do trabalho de outros três artistas. As observações ocorreram na base das afinidades eletivas, cada um mergulhando no nas obras do artista pesquisado.

O primeiro a falar foi Marcelo Salum sobre o trabalho do cineasta e artista plástico Cao Guimarães. Marcelo focou na investigação de um trabalho específico de Cao Acidente. Apresentou trechos do longa metragem de 2006 mencionando a ação de Cao no limiar entre cinema e artes visuais, sobre como o artista trabalha sobreposições de temporalidades tanto com som como com a imagem e sobre a relação imersiva que a obra proõe.

Acidente (2006) de Cao Guimarães


Em seguida falou Eduardo Salvino sobre Lucas Bambozzi, expondo um pouco da trajetória de Lucas. Eduardo focou suas observações em dois trabalhos, Youtag (2008) e Postcards (2000) abrindo espaço na discussão para dar voz ao próprio artista, que apareceu em vídeo falando sobre sua obra Youtag que trata do temas atuais e pertinentes ao nosso dia a dia e ao modo atual de lidarmos com as imagens, com a indexação de imagens, nosso hábitos banais de buscar e postar imagens, e ainda um questionamento sobre autoria na web.





Youtag ( 2008) de Lucas Bambozzi


Eu, Lyara Oliveira, apresentei minha fala sobre o trabalho de luiz duVa. A proposta da apresentação foi realizar uma visada um pouco mais panorâmica sobre o trabalho desse videoartista e performer. Observando temáticas comuns em sua trajetória artística, temáticas que resvalam na exploração dos limites do corpo, na intersecção permeada entre o sublime e o grotesco e na intenção de pensar a imagem como sensação. Buscando entender como essas temáticas variam e passam da pluralidade à síntese, em diferentes modos de trabalhar e explorar o potencial do vídeo, em trabalhos de mono canal e videoinstalações. Apresentei trechos de seus trabalhos: Jardim Rizzo (1990); The bodymen lost in heaven (1996); Grotesco Sublime Mix (2004); Preto sobre Preto (2008/2009). Infelizmente ficaram de fora observações sobre as performances e apresentações de live image.




Grotesco Sublime MIX (2004) de luiz duVa

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Olafur Eliasson - SEU CORPO DA OBRA


Microscópio para São Paulo, 2011

Seu Corpo da Obra, 2011
Sob uma visada inicial a obra de Olafur Eliasson não lida com questões audiovisuais. Usando materiais que já eram viáveis no final séc. XIX (espelhos, filtros, suporte de metal e madeira, água, fumaça, luz) trabalhados com o aporte das mais recentes e avançadas tecnologias de produção, o artista consegue dar forma às suas idéias contemporâneas.
O 17º. FESTIVAL INTERNACIONAL VIDEOBRASIL, que agora não comporta apenas vídeo, mas abarca toda forma de produção artística contemporânea, traz ao Brasil a primeira exposição individual do artista dinamarco-islandês na América Latina com curadoria de Jochen Volz (diretor de Inhotim). As obras, grandes instalações e /ou esculturas, algumas pensadas especificamente para os espaços em que se encontram, estão espalhadas por São Paulo (SESC Pompéia, SESC Belenzinho e Pinacoteca).

Seu Caminho Sentido, 2011


Apesar de o uso de vídeo, cinema, sons não se fazer evidente na maioria das obras, os trabalhos instigam uma percepção audiovisual. Lidam com imagens e sons reais, e tentam promover uma subversão de nossas expectativas realistas. As obras são ao mesmo tempo complexas estruturalmente e aparentemente simples, os jogos de ótica e sonoridade mexem profundamente com o participador da obra, sim participador, pois todos os trabalhos instigam a participação do espectador. O envolvimento é intenso principalmente em obras como Microscópio para São Paulo, o prisma gigantesco que está na Pinacoteca, e em o Seu Caminho Sentido, galpão de luz e fumaça que gera uma verdadeira cegueira branca. A experiência corporal sem dúvida instiga todos os sentidos.


videoRegistro trecho Sua Cidade Empática, 2011
Sua Cidade Empática (SESC Pompéia) é o único trabalho em que ocorre o uso efetivo do vídeo. Na videoinstalação, realizada em parceria com Karim Aïnouz, imagens e sons captados na cidade de São Paulo são exibidos com uso de três projetores e spots de luz colorida pulsante que acaba por provocar, eventualmente, uma sensação ótica estranha de efeito de pós-imagens na retina de quem presencia a obra, resultando num caótico vaudeville urbano.




Dica: Quem estiver por São Paulo procure pelas ruas bicicletas com discos espelhados em lugar das rodas, outra obra do artista.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

EM NOME DOS ARTISTAS

Segundo semestre como sempre São Paulo está agitada no campo da arte. Inauguram uma exposição atrás da outra. Pólo da arte contemporânea no mundo... andam dizendo. Já visitei algumas exposições, sempre com olhar atento para a produção que envolve audiovisual. Começo por uma das maiores do momento.

Cremaster 2 de Matthew Barney

Em nome dos artistas - Arte norte-americana contemporânea na Coleção Astrup Fearnley exposição comemorativa dos... anos da Bienal de São Paulo. Polêmica e questionável em seu caráter comemorativo a exposição apresenta trabalhos de grandes representantes do mundo das artes contemporâneo, principalmente da fatia mercadológica do universo artístico, em sua maioria inéditos no Brasil.
Em termos de audiovisual destaque para artistas célebres dessa área: Matthew Barney, Doug Aitken e Shirin Neshat. De Barney são apresentadas esculturas/instalação enormes , uma série de fotos e um pentágono de monitores de vídeo que exibe simultaneamente os 05 filmes da série Cremaster. As imagens são magníficas e intrigantes. A maior videoinstalação da exposição é a obra Eraser de Doug Aitken , um passeio geográfico tortuoso. O trabalho da iraniana Shirin Neshat é simplesmente um dos meus trabalhos favoritos em audiovisual contemporâneo, uma integração rara entre forma e conteúdo, a tela dividida, o jogo de câmeras, a edição a interpretação... tudo conjuga para a complexidade trágica, ao mesmo tempo sutil e escancarada das situações postas, Fervor é o trabalho apresentado.
No primeiro andar estão as obras de Damien Hirst, impossível ficar indiferente ante ao impacto grandioso. Os trabalhos não lidam com imagem e representação e/ou abstração diretamente. As obras são realizadas com elementos reais, não é uma escultura de uma vaca é a vaca, não é uma pintura de borboletas, são as borboletas, são as bitucas de cigarro, é o crânio humano metamorfoseado. Não há como dissociar imagem, tato, olfato e áudio; o que resulta do arranjo desses elementos concretos faz o observador formar uma imagem conceitual (ou não).
No segundo andar do pavilhão da Bienal estão os chamados novos artistas, nova geração, algo assim. Paira no andar uma obsessão com política, morte, destruição e sexo. Sexo sem prazer, doentio e perverso. Repetem-se imagens da bandeira dos EUA, de armas e de partes ou do todo de corpos humanos. Senti falta de poética, de sutileza, de abstração, tudo muito na base da representação, sob ares duchampinianos. Destaque absoluto para as obras do artista Paul Chan, chinês radicado em NY, suas animações digitais projetadas são engenhosas, sutis e por vezes perturbadoras. Felizmente a exposição conta com vários trabalhos do artista.


Fervor de Shirin Neshat
animação de Paul Chan
videoinstalação Eraser de Doug Aitken

Informações: http://www.bienal.org.br/FBSP/pt/Emnomedosartistas/Paginas/default.aspx
Dica: A visitação domingo é gratuita.

domingo, 23 de outubro de 2011

VIII Encontro Arte & Meios Tecnológicos - Projeto Amplificação



Na última quinta-feira dia 06 de outubro ocorreu a primeira parte (ao todo serão quatro) do VIII Encontro A&MT.
A artista Mariana Shellard apresentou fala sobre a artista Artemis Moroni. Artemis desde o final dos anos 1980 tem uma atuação expressiva no desenvolvimento de tecnologias complexas para utilização em projetos de experimentação tecnológica e artística, atuando sempre em parceria a técnicos, engenheiros e músicos em cooperação com o NICS/UNICAMP. O debate que sobre o trabalho de Artemis suscitou temas como criação colaborativa, verbas de tecnologia para uso em projetos artísticos,desenvolvimento de projetos a longo prazo, documentação e compartilhamento de tecnologia gerada em projetos de arte.

Na segunda parte do encontro a curadora e professora Ananda Carvalho trouxe uma visada sobre as atividades da artista e tb. professora e pesquisadora acadêmica Giselle Beiguelman. A temática da fala girou em torno da apresentação de trabalhos de Giselle e de suas colocações teóricas sobre a atual produção artística brasileira que lida com elementos tecnológicos, Giselle reconhece uma série de procedimentos usados por artistas contemporâneos e elabora para isso o termo "estética tecnofágica". Além de conversarmos sobre as colocações da artista, a discussão também inclinou-se para questões sobre como refletir e trazer à tona a produção artística e teórica desenvolvidas por um mesmo indivíduo(artista-pesquisador)e também sobre dificuldades de realizar uma abordagem crítica sobre a produção de artistas contemporâneos tão próximos.

Próximo encontro dia 10 de novembro. Apresentarei uma fala sobre o artista luiz Duva.
Mais informações: http://artemeiostecnologicos.wordpress.com/




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Exposição COLETIVO 2011 - FASM







Abertura da Exposição, em 12 de agosto. Colaboração entre as artistas

Bruna Rafaela
Fabiola Notari
Dwari
Monique Allain

e Lyara Oliveira

Apresento os trabalhos Passante; Agora é domingo e 23-24 todos de 2011.

sábado, 30 de julho de 2011


Em ritmo de conclusão do Mestrado: revisando texto da dissertação e preparando a exposição!

ABERTURA: 10 DE AGOSTO!

domingo, 19 de junho de 2011

VII Encontro Arte Meios Tecnológicos




Fotos por Darlan Alvarenga


Finalizamos a primeira parte da Projeto Amplificação - Leituras Críticas / Núcleo histórico. Durante quatro encontros os participantes Grupo de Pesquisa arte&meios tecnológicos (CNPq/FASM) realizaram leituras críticas de importantes artistas contemporâneos. Artistas que constituem nossa base de referências artísticas deste os anos 50 até hoje. O mote principal de todos os encontros foi a aproximação crítica com esses artistas e a pertinência de historicisar essas leituras. Produzir relações de análises dentro de um contexto artístico, histórico e crítico.

Ontem, no último encontro, foram apresentadas leituras dos artistas Júlio Plaza e Regina Silveira e Rafael França. Finalizei o encontro apresentando minha pesquisa sobre o mais jovem artista colocado dentro deste panorama histórico/contemporâneo.

Falei de Rafael França, um artista com o qual descobri inúmeras afinidades e por quem desenvolvi grande admiração, tanto com relação a sua produção artística quanto a sua postura engajada de artista.

Compartilhar, discutir para apreender o conhecimento é o interesse do grupo. A apresentação pública é sempre uma experiência estressante e altamente estimulante. Gera resultados densos. Apresentamos ao todo:

Parte 1 -ANOS 1960-1970
17 de março, 5ª. feira, das 19h às 22h
Helio Oiticica: Claudio Bueno/Leandro Carvalho
Lygia Clark: Josy Panão/Monique Allain

Parte 2 -ANOS 1920-1960
30 de abril, sábado, das 14h às 18h
Mario Peixoto: Ana Paula Lobo
Flavio de Carvalho: Paula Garcia
Abraham Palatinik: Eduardo Salvino

Parte 3 -ANOS 1960-1970
19 de maio, 5ª. feira, das 19h às 22h
Waldemar Cordeiro: Denise Agassi
Mira Shendel: Marcelo Salum

Parte 4 -ANOS 1970-1990
18 de junho, sábado, das 14h às 18h
Julio Plaza: Ananda Carvalho/Mariana Shellard
Regina Silveira: Christine Mello
Rafael França: Lyara Oliveira

A experiência de extender os laços acadêmicos para além da universidade são muito válidos. Nesse sentido, a realização de dois encontros fora da Faculdade Santa Marcelina, instituição que acolhe e fomenta o grupo, também foi estimulante. O Intermeios - Casa de artes e livros nos recebeu generosamente em seu espaço de produção de reflexão, promovendo uma liberdade extra para o debate.

Semestre que vem daremos prosseguimento aos estudos e leituras, dessa vez acompanhando artistas mais jovens que produzem e atuam hoje. Outras boas rodas de discussão prometem levantar questões atuais e pertinentes ao campo da arte contemporânea.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Epifania ou as dores do parto, Flusser e Eu

Texto de Vilém Flusser:

Migrar é situação criativa. Mas dolorosa. Toda uma literatura trata da relação entre criatividade e sofrimento. Quem abandona a pátria (por necessidade ou decisão, e as duas duas são dificilmente separáveis)sofre. Porque mil fios o ligam à pátria, e quando estes são amputados é como se intervenção cirúrgica tenha sido operada. Quando fui expulso de Praga (ou quando tomei a decisão corajosa de fugir) vivenciei o colapso do universo. É que confundi o meu íntimo com o espaço lá fora. sofri as dores dos fios amputados. Mas depois, na Londres dos primeiros anos da guerra, com a premonição do horror dos campos, comecei a me dar conta de que tais dores não eram as de operação cirúrgica, mas de parto. Dei-me conta de que os fios cortados tinham me alimentado, e que estava sendo projetado para liberdade. Fui tomado pela vertigem da liberdade (...)

Resumo epifânico

migrar criativa dolorosa¨criatividade sofrimento¨abandona a pátria¨mil fios ligam pátria¨tomei decisão de fugir¨colapso do universo¨confundi íntimo espaço lá fora¨sofro dores dos fios amputados¨dores não de operação cirúrgica¨dores de parto¨fios cortados alimentam¨projetado para liberdade¨tomada de vertigem¨liberdade


Autoretrato em vertigem... olhando para obra de Anish Kapoor, foto por Darlan Alvarenga

terça-feira, 17 de maio de 2011

Revista Select


Interessante o pequeno circuito da arte e cultura nessa cidade... ou em qualquer outra imagino... recebi de uma ex-aluna da UNISA Anna Guirro, que sabe dos meus assuntos de interesse, um convite para o lançamento de uma revista. Me deparei com uma seleção excepcional de profissionais com os quais divido esses mesmos interesses, vários conhecidos estavam na lista de realizadores e colaboradores da revista.

Select é uma revista bastante variada, no subtítulo estão as categorias: ARTE DESIGN CULTURA CONTEMPORÂNEA E TECNOLOGIA. Muito bem editada por Paula Alzugaray com qualidade gráfica é impecável e textos com bom conteúdo. Nesse n. de lançamento, senti um peso maior na temática das artes visuiais(achei ótimo veremos nas próximas), chamaram a minha atenção os textos O Fim do Virtual de Giselle Beiguelman, sobre o turvamento inevitável das fronteiras entre real e virtual; Provoações nas Margens do Real de Nina Gazire, onde autora apresenta o trabalho de artista que lidam com os limites entre representação e invenção, entre natural e artificial; e De olhos bem abertos de Angélica de Moraes sobre o artista Olafur Eliasson.

Hoje em dia é comum conseguir uma bela forma, ideias bacanas mas com conteúdo nulo. Não terminei de ler a revista e acho que ainda vou gostar de mais coisas. Conteúdo interessante embalado numa bela forma é sempre atraente. Que venham as próximas edições!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

SP- Arte 2011


Vista parcial da Exposição de Vídeos EXTRANATUREZA

Segundo ano em que vou a SP-Arte, a feira de arte da cidade de São Paulo a maior da América Latina...

A feira foi assunto de um dos primeiros posts do blog. Esse ano já sabia mais ou menos o que esperar. Até a disposição dos estandes é quase a mesma. A novidade ficou por conta do segundo andar ocupado com grandes instalações e a mostra de vídeos EXTRANATUREZA curada por Paula Alzugaray. E lá vamos nós de novo pensar o vídeo em feira de arte. Dessa vez minha questão não é a venda, mas a apresentação. Ano passado vários estandes tinham vídeos esse ano quase nenhum, talvez por causa da mostra não sei, senti falta. A mostra em si está excelente, mas talvez sejam muitos vídeos numa só sala, num ambiente tão disperso... se isso já não funciona muito bem em exposições grandes, que dirá numa feira. Valorizo a reflexão da curadoria que questiona os limites contemporâneos entre natureza e tecnologia apresentando trabalhos de artista como: Regina Parra, Denise Agassi,Sara Ramo, Wagner Morales, Gisele Beiguelman, Kátia Maciel, Janaina Tschape entre outros. O destaque fica para videoinstalação de Alice Miceli, ao lado da sala da mostra. Fica a questão: foi melhor ganhar um espaço só para o vídeo ou isso acaba por segregar ainda mais essa forma contemporânea de arte que ainda causa tanto estranhamento?

A feira em si é divertida e interessante. Gosto por motivos que maioria dos artistas detesta. Me atrai a mistura, a falta de critério rígido, a possibilidade de ver trabalhos muito novos ou trabalhos mais antigos de artistas consagrados que nunca aparecem em exposições e tudo bem de perto. Enfim uma relação completamente outra com as obras. Do lado dos afetos estão trabalhos que adorei dos artistas: Denise Agassi (Dconcept), Regina Parra (Leme) Jaques Faing (Motor), Lucas Bambozzi (Luciana Brito), Raquel Koogan (Mônica Filgueiras), Alice Miceli (Nara Roesler).

Dia 12 ainda teve o lançamento da revista Select (arte, design, cultura contemporânea e tecnologia) lá na feira, mas isso será um outro post.

Ultimo comentário: fiquei passada em saber que uma feira comercial tem apoio de leis de incentivo cultural... e a entrada é R$ 30,00!


OLHAReencaixa de Jaques Faing na Galeria Motor

video

Vídeo instalação de Alice Miceli na SP-Arte 2011. Não resisti e fiz esse registro (precário), é sempre melhor ver vídeo em vídeo... a obra vale a pena.

terça-feira, 3 de maio de 2011

VII Encontro arte&meios tecnológicos


O VII Encontro arte&meios tecnológicos aborda maneiras com as quais a arte contemporânea rearticula processos históricos e de linguagem. Para tanto, investiga a produção artística brasileira baseada nos anos 1920-1990.

Parte 2 - ANOS 1920-1960 - 30 de abril
Mario Peixoto: Ana Paula Lobo
Flavio de Carvalho: Paula Garcia
Abraham Palatinik: Eduardo Salvino
Local 2: INTERMEIOS - Casa de artes e livros


Tarde de sábado, calor agradável, espaço propício, clima de reflexão bem humorada. Companheiros de grupo de pesquisa AMT apresentaram seus estudos e impressões sobre os artistas selecionados. Ana Paula e Paula escolherem obras específicas para trazer à discussão - Limite e Experiência no. 2 - Eduardo foi mais panorâmico. Artistas refletindo sobre o trabalho de outros artistas e colocando em relação seus trabalhos. Foi memorável ouvir a Paula ler a experiência de Flávio de Carvalhho em meio a procissão.

A tarde rendeu, a audiência tb foi ótima e a acolhida do Intermeios foi algo de especial. Afinal espaços de confraternização e reflexão não são muitos...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Perceptum Mutantis


Imagem da obra Le Partenaire de Hernán Marina

Exposição no MIS - SP conta com poucas obras, no entanto são trabalhos fortes que enfrentam o audiovisual em diferentes aspectos. Questionam formas, estruturas, modos de interação,de percepção. Trabalhos importantes de artistas brasileiros e argentinos - Leo Nuñez, Augusto Zanela, Mariano Sardón, Hernán Marina,Katia Maciel e André Parente - com curadoria de Daniela Bousso.

A proposta de aproximar realizadores latino americanos do público latino americano, que o MIS tem realizado desde de que foi reaberto em 2008 é interessante e muito relevante. Faltou um reforço desta visão no workshop As artes midiáticas, O cinema e o vídeo “expandidos” , proposto como atividade relacionada à exposição. Compareci nos dois dias. Foi ótima a oportunidade para conhecer trabalhos de artistas importantes dessa área. O palestrante foi o artista argentino, Hernán Marina que também participa da exposição com a obra Le Partenaire de 2007, um vídeo que levanta um questionamento muito pertinente sobre os ensejos da pós produção. É possível criar História, criar realidades,numa ilha de pós produção?

PS. Sem ser bairrista ou nacionalista, os dois trabalhos de que mais gostei foram: À sombra de Katia Maciel e Circuladô de André Parente.


imagem de À sombra de Kátia Maciel


com quem estou falando? acho que comigo mesma...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Outono e melancolia



Abril é sempre um mês difícil...
Trás lembranças de um tempo de leveza de que não tem volta. De um tempo outro, de um modo outro de encarar a vida, de se relacionar com as pessoas, de construir histórias. Marca uma mudança no modo de sentir e isso é o que mais me afeta, nunca mais ser a mesma... A passagem pela dor é irreversível, altera incondicionalmente.

Às vezes tento externar, mas ao que parece o mundo não se importa... em nada se interessa, mesmo assim tento construir algo a partir disso para me livrar um pouco do peso. Imagens, imagens, sons... a ausência de som. A ausência de som talvez seja a ausência de compreensão. Difícil entender os caminhos do processo de externar algo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

“e se houvesse ainda e sempre e somente palavras”

A exposição de Ana Paula Lobo aglutina num mesmo espaço e numa mesma ideia videoinstalações e objetos. Tudo ali diz respeito ao universo das palavras, no sentido mais abstrato e no mais concreto.

Numa das videoinstalações a imagem da própria artista adormecida é projetada em um "berço explêndido" formado por livros expcionais das mais variadas áreas. Quando se abre um dos objetos/livro, não são textos que aparecem mas sim um punhado de letras precisamente retordas em madeira, como no Livro da arte, ou em um efêmero e transparente acrílico, como no Livro de artista.

A temática traz palavras e letras. Um amontoado de letras, de livros, de ideias. Um acento de cadeira sustenta um desses amontoados. Paira no ar, leve e sutil, a ideia de narrativa, sem que nenhuma estória seja dada. A dimensão pequena das obras, a delicadeza e perspicácia das imagens encantam e perturbam. Para quem gosta de letras, de vídeo, de objetos preciosos, de arte.

Ana Paula Lobo de 30/3/2011 à 29/4/2011 no DConcept - São Paulo http://www.dconcept.net

terça-feira, 29 de março de 2011

A dura tarefa continua....

Dias muito intensos. Altos e baixos. Apresentei de novo meu trabalho, dessa vez não fiquei muito satisfeita comigo mesma, não levei muito a sério e acabei sendo um pouco leviana, nunca mais vou deixar isso acontecer. Em seguida veio qualificação e parecer da bolsa: observações pertinentes, problemas apontados, elogios, orientações. Sobe e desce, muita ansiedade. Concentração e muita força de vontade. Determinação é o que preciso...sempre...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Portfólio

O processo de auto reconhecimento do trabalho artístico passa por várias fases. A primeira foi a fase de me descobrir capaz, a segunda foi descobrir que é possível, realizável; a terceira de frutificar a produção, em seguida vem a fase mais difícil a de assumir um papel público, confesso, e colocar minhas criações no mundo, mostrar aos outros. Como jovem (nem tanto) artista contemporânea faz parte do processo de afirmação, além de expor o trabalho ao público, expor também à crítica.

Neste momento a crítica veio institucionalizada no projeto Rumos Artes Visuais, personificada na figura da jovem curadora Luiza Proença. Nem sei como me armei de coragem... ou melhor não me armei de nada, preparei uma pequena mostra e falei, apresentei o trabalho, falei dele e de mim claro, porque falo muito feito uma tagarela. Foi uma experiência ótima. Aos poucos aprendo a falar do trabalho e a cada fala descubro ou intuo novos aspectos, me fortalece e enriquece o trabalho.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Back to work

Três dias trancada em casa. Gripada meio febril... vagando pelo apartamento, lendo Patti Smith, escutando Patti Smith...fuçando no computador. Voltei a criar, me enfrentei de novo com o vídeo. Imagens que fiz ainda no ano passado. Foram três meses de transição, hora de voltar ao trabalho. Um pouco de reclusão ajuda, não ligar a TV também.




Vídeo sem título 2010/2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da dura tarefa de elaborar um pensamento próprio...


Entreguei hoje os volumes de texto para qualificação do mestrado. Me deixou um pouco exaurida e um pouco enjoada do próprio texto. De escrever e reescrever... e rever... o engraçado é notar que as melhores ideias surgiram no processo final e o melhor texto é aquele que está sendo escrito e reescrito desde o projeto de pesquisa... Espero poder reaproveitar e retrabalhar bastante desse texto para a dissertação final, para que ele fique apurado.

O fato de as ideias surgirem durante o processo, mas irem aos poucos ficando mais claras, como diz minha querida orientadora, é parte do processo da pesquisa. Foi preciso ler muito, ver muita coisa, passar horas olhando para o teto até que um lampejo de ideia original povoasse meus pensamentos... e mais algumas horas digitando meio em transe, meio insanamente. Das 120 páginas produzidas, metade é relatório, bibliografia e figuras, a outra metade é texto, muito de informação pesquisada e lapidada e um pouco de transpiração criativa. Os vídeos vieram antes o texto depois...Durante esse processo e também durante as aulas concluí que realmente raciocino por imagens. No entanto não é fácil deixar esse raciocínio evidente para os outros. Veremos como será minha avaliação.

Para aliviar a tensão e me dar uma folga comecei a ler a autobiografia da Patti Smith, sobre os anos intensos de juventude partilhados com seu companheiro e amigo de uma vida Robert Mapplethorpe. Inspira a vida em direção á arte.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Começando 2011

Início das atividades de visita e participação em eventos de arte ocorreu dia 25 de janeiro com a abertura das atividades de 2011 do MIS. O ano parece que será movimentado. Só no dia 25 teve: aula inaugural com Nelson Brissac, apresentação da obra Monumento Online de Denise Agassi com participação do grupo Nu.m.i., divulgação dos artistas que irão participar da residência artística este ano, abertura da Mostra do Prêmio Internacional Sony de Fotografia e lançamento do catálogo da exposição da Pipilotti Rist que aconteceu no a passado, tudo num único dia! Como perdi a apresentação da Denise com o grupo Nu.m.i.formado por músicos também da Santa Marcelina, o melhor da noite foi rever amigos e receber o catálogo da exposição da Pipilotti.

A exposição aconteceu entre outubro de 2009 e janeiro 2010 no Paço das Artes e no MIS. Eu já conhecia a artista por ter lido sobre ela e visto partes de alguns vídeos, mas o contato direto com seus vídeos e instalações mudou completamente a ideia que eu fazia dos trabalhos. Ironia, bom humor, beleza plástica e um fantático modo de explorar o corpo humano nos seus mais variados aspectos,compõem trabalhos que surpreendem. Para mim conhecer mais a fundo o trabalho dela,exatamente no momento em que estava realizando experimentações com a narrativa em vídeo foi algo extremamente enriquecedor. Assim como presenciar a própria artista falando sobre seu trabalho nas entrevistas/debates dos quais participou e que foram abertos ao público. A artista se expressava de modo alegre e descontraído, enfrentando todos os temas e de vez enqundo se esquivando com graça de alguma tentativa de elocubração filosófica não muito pertinente colocada pelo público ou por um dos debatedores. Enfim uma oportunidade que foi muito bem aproveitada e deglutida.

PS. O catálogo ficou ótimo, lindo e completo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Balanço Geral 2010

E acabou 2010! Neste ano, no dia primeiro de abril, comecei este blog sem intenções mentirosas. A ideia é colocar aqui comentários sobre meus exercícios artísticos e minhas observações sobre o campo da arte contemporânea. Enfim um espaço público de expressão, para compartilhar algumas ideias e observações.

E o que mais teve em 2010? Minha bolsa da FAPESP para prosseguir com o mestrado em artes na Faculdade Santa Marcelina. Meu desligamento temporário do campo letivo. O desenvolvimento de alguns trabalhos em vídeo, o contato com amigos artistas, críticos e estudiosos. A visita exposições e mostras que foram relevantes para mim: 29a. Bienal, Gordon Matta-Clark, Hélio Oiticica, Andy Warhol, Joseph Beuys, Flávio de Carvalho, Casa Tomada, Casa Contemporânea, Verbo, Alicidade, Virada Cultural e a especialíssima... Galeria Expandida. No campo específico de arte e tecnologia teve: Emoção Artificial, Tékhne, Laurie Anderson, Rebecca Horn.

Esse não foi um ano de expor meus trabalhos, foi um ano de pesquisa, aprendizado e desenvolvimento. Espero que os frutos desse trabalho possam vir a público agora em 2011, e claro, vou desenvolver novos trabalhos. O evento público mais importante do qual tomei parte em 2010 foi III Seminário Nacional de Pesquisa em Cultura Visual ocorrido em junho em Goiânia na Universidade Federal de Goiás; participei apresentando o vídeo 23-24 e um texto que foi publicado posteriormente.

Também não dá para deixar de fora dos acontecimentos de 2010 os dois Encontros Arte e Meio Tecnológicos organizados pelo grupo AMT.

Junho - V Encontro: A Experiência Neoconcreta e aspectos contemporâneos
Novembro - VI Encontro: Waldemar Cordeiro e a experiência Popcreta.

Participei, ou melhor ainda estou participando - porque vamos retomar em janeiro, da produção do curta-metragem experimental Call me Darling desenvolvido em disciplina na ECA - USP.

Agora no final do ano tive a oportunidade de desenvolver um projeto meu e de Sabrina Henrique que se tornou uma experiência muito especial. Criamos um programa de TV especial de final de ano para a TV Rede Paulista afiliada da TV Cultura em Jundiaí. O projeto Mapeando Histórias virou o especial 355Jundiaí Mapeando Histórias. Dois programas de 30min exibidos pela TV em dezembro desse ano. Foi uma experiência incrível poder criar e desenvolver um projeto nosso que abarca minhas crenças nas micronarrativas. Deu um trabalho monstro e ficou aquém das nossas idealizações mas se concretizou e o retorno foi ótimo.

E ainda agora no fim do ano junto com escritura da qualificação do mestrado, produção do programa de TV e do curta metragem... mudei de casa. Agora moro mais próximo dos meu interesses e tenho um escritório/estúdio mais ajeitado para trabalhar. Até pintou um convite para participar de um atelier coletivo com outros artistas... mas ainda não é a hora...

Enfim 2010 foi um ano de trabalho, estudo, pesquisa e realizações. Que venha um 2011 ainda melhor!!! E promessa de ano novo: escrever mais no blog.